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Segunda Outubro 15, 2018
vinho brasileiro é mais barato no exterior

O setor brasileiro do vinho e várias instituições financiadas ou subsidiadas pelo governo e pelos produtores tem se esforçado, com pouca criatividade e sem sucesso, em colocar o vinho brasileiro nas prateleiras estrangeiras. Mas porque o vinho brasileiro não se destaca entre os demais?

 

Todos que conhecem a Adega24 sabem da nossa posição relativamente às pontuações e prêmios que são atribuídos aos vinhos. Entendemos que sobre gosto não se discute. É obvio que existem vinhos bons e ruins, mas isso não pode significar que um bom vinho, bem pontuado e/ou premiado, agrade a todos! A partir desse ponto de vista , a primeira pergunta:

 

O vinho brasileiro é ruim?

Absolutamente, não! A indústria brasileira de vinhos coloca vinhos impecáveis nas prateleiras. Essa afirmação esconde duas verdades.

Vejamos:

    1. A maior parte dos vinhos brasileiros é produzido industrialmente. Isso não é nenhuma especialidade para produtos baratos que são produzidos em massa. Além disso, a maioria dos produtores pensa que consegue trabalhar com as diferentes castas de uvas da mesma maneira. E, ao invés de se especializar, definir e atingir metas de qualidade, limitando sua produção apenas ao que faz de melhor, cada um quer ter a sua palavra em todos os tipos de vinhos. Enquanto, no mundo todo, os vinhos dos países são, em geral, associados a alguma característica especial, que promove o produto, no Brasil essa associação não existe. Produção em massa, quantidades enormes e presença da marca (ou do mesmo produtor) em todos os tipos de vinhos não é referencial para compra. Exemplo prominente de associação positiva: a Nova Zelândia e seus excelentes Sauvignon Blancs.
    2. Impecável não é suficiente. Ninguém combina emoções com um vinho apenas impecável ou agradável. Espumantes agradáveis existem como areia na praia. Bons Cuvées são um indício de bom trabalho na adega e honram os adegueiros, mas isso não motiva o consumidor a comprar novamente o mesmo vinho.

 

Enquanto hoje os consumidores tendem a buscar por especialidades, querem provar algo único ou que, pelo menos, fique na lembrança e, para isso estão dispostos a pagar mais, os produtores brasileiros tentam seguir uma tendência que já está ultrapassada. A estrutura industrial não possibilita o (res)surgimento dos “jovens selvagens“ , que são produtores jovens com ideias próprias e fundadas, na maioria com formação internacional, que pretendem quebrar as velhas estruturas da produção. Embora essa quebra tenha ajudado muitos países no passado a crescer em qualidade e popularidade, ela não é possível em uma estrutura industrial já consolidada.

vinho brasileiro

 

O vinho brasileiro é caro?

Infelizmente, sim. No mercado brasileiro o preço está muito alto. É claro que, não raro os produtores estrangeiros se surpreendem com o alto preço de seus próprios produtos. Naturalmente, nesses casos, a causa principal do alto preço são as absurdas restrições de importação. Mesmo assim, a relação entre preço/qualidade não está equilibrada e, menos ainda, se observarmos, nessa perspectiva, os vinhos nacionais. Olhando para fora das fronteiras brasileiras e comparando os preços dos vinhos brasileiros no mercado interno e no exterior, surge mais uma pergunta:

 

Por que os vinhos brasileiros são mais baratos no exterior? Exemplos?

O conhecido e discutido Miolo Lote 43.

Na nossa pesquisa através de distribuidores de vinhos alemães (não, nós não pesquisamos os preços nos importadores!), descobrimos uma diferença de preço para uma garrafa de Miolo Lote 43 (2008) que representa uma economia de quase 38% do preço encontrado no site da Miolo!
Aqui o preço na Alemanha: http://www.galeria-kaufhof.de/store/p/cabernet%20miolo%20lote%2043%202008/1004628520/ .

Observamos ainda que, na compra de 6 garrafas na Alemanha, ainda se recebe um desconto especial!

 

Outro exemplo, é o Duetto Chardonnay Riesling da Casa Valduga.

Não encontramos o preço no site da Casa Valduga, por isso, pesquisamos no site Bebida Online, encontrando o valor de R$ 36,90 por garrafa (http://www.bebidaonline.com.br/products/Vinho-Casa-Valduga-Duetto-Chardonnay-Riesling-750ml.html).

No site alemão Genuss7 (http://www.genuss7.de/Produkte/Wein/Weisswein/2011er-Casa-Valduga-Duetto-Chardonnay-Riesling) o mesmo vinho, safra 2011, é oferecido por € 7,95 (cerca de R$ 23,85), o que representa uma diferença de preço de mais de 35%!

 

Último exemplo: o Tannat Reserva da Aurora.

No site oficial da Aurora (http://www.vinhosevinhos.com/aurora/produtos/detalhes/vinho-aurora-reserva-tannat-750ml ) o vinho é vendido por R$ 33,75.
No site alemão Weinvorteil.de (https://www.weinvorteil.de/weinversand/Brasilien/Aurora-Winery-Tannat-Reserva-Serra-Gaucha::2623.html), a safra 2011 é vendida por € 9,99 a garrafa. Diferença de 11,2%!

Calculamos os valores considerando o valor de 1€ = 3 R$. O preço informado na pesquisa é o preço final ao consumidor, incluindo todos os impostos e taxas.

 

É claro que os impostos no Brasil geram um efeito negativo na formação do preço do produto. Na compra de um vinho nacional no Brasil por R$ 20, cerca de R$ 12 ficam para o Estado brasileiro e, no caso de um produto estrangeiro, quase R$ 17! Mas a desculpa do valor do imposto não serve para justificar o preço. O vinho brasileiro oferecido na Alemanha tem uma longa e cara viagem até chegar ao destino. A União Europeia não exige pagamento de imposto de importação para a entrada do produto, mas o custo de transporte, seguro, despacho, comissões e ainda o imposto de circulação de mercadorias na Alemanha, de 19%, acabam tendo que ser acrescidos ao preço, o que deve, pelo menos, se equalizar com o custo do impostos no Brasil. E, mesmo assim, o vinho brasileiro é vendido no exterior mais barato do que no mercado brasileiro!

A concorrência e a pressão relativa ao preço é maior em um mercado livre e sem proteção por imposto de importação. Vinhos agradáveis e, com isso, em concorrência direta com os brasileiros, são os produzidos no Chile, Argentina, Africa do Sul e Nova Zelândia, que são vendidos em supermercados na Europa e nos Estados Unidos hoje a menos de R$ 15,-. Vinhos interessantes já são vendidos a partir de R$ 30,-. Para permanecer nesses mercados, é preciso oferecer um produto que além de bom ou de preferência, especial, também se destaque da massa nas prateleiras, através de medidas de marketing mais inteligentes e inovativas.

 

Marketing brasileiro de vinhos – isso existe?

Os vinhos brasileiros estão representados nas mais variadas feiras e eventos mundiais. A ideia que se tem é a de que os produtores querem “estar presentes ao mesmo tempo em todos os casamentos“, sem prioridades ou definição de objetivos. E nessas oportunidades pouco da simpatia e da força ligada ao país é utilizada. A tentativa de estabelecimento e desenvolvimento no mercado interno em posição de quase monopólio fazem com que o setor de vinhos brasileiros seja menos simpático no exterior.

Infelizmente não existe (ainda) nenhum produtor com ideias inovadoras, força e coragem para mostrar como fazer melhor, mesmo com um orçamento menor do que um produtor industrial.

Também não existe um produtor industrial focado na produção especializada de um determinado vinho que seja o seu melhor produto.

Pena, pois potencial não falta.

saca-rolhas

 

Há interesse pelo vinho brasileiro no exterior?

Sim e não. O interesse do público internacional especializado e, com isso, a atenção da mídia, é limitado. Mesmo aqueles que sabem quase tudo sobre vinhos, sabem pouco sobre os produtos brasileiros. Cada vez mais, especialistas comprovam uma melhora da qualidade dos vinhos brasileiros, mas as conversas sobre vinhos brasileiros são muito curtas, o assunto encerra logo.

Para atingir muitos dos consumidores internacionais, seria muito mais simples para os vinhos brasileiros. Associações positivas com o país, interesse em provar algo novo e exótico deveriam ser exploradas. O motivo preço não convence esses consumidores, porque a concorrência é alta.

Quantidade ao invés de qualidade – é esse o status do mercado de vinhos no Brasil.
Concentração na qualidade, na inovação e nos pontos fortes seria uma estratégia mais eficiente para alavancar as vendas e a posição nos diferentes mercados, destacando o vinho brasileiro nas prateleiras.

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